Sandra Teschner recebe hoje (25) diploma da Academia de Ciências, Letras e Artes de São Paulo

A jornalista, administradora e empreendedora social baiana Sandra Teschner recebe hoje (25) o diploma “Fundação Cidade de São Paulo”, da Academia de Ciências, Letras e Artes de São Paulo (ACLASP), “em reconhecimento à inestimável colaboração de bem servir ao desenvolvimento da Cidade de São Paulo”. Especialista em felicidade, com pós-graduação em Neuropsicologia, Chief Happiness Officer certificada pela Florida International University e fundadora do Instituto Happiness do Brasil, um centro de estudos e projetos de Felicidade Intencional, Teschner não esconde sua alegria com a homenagem. Para ela, ser homenageada pela Academia de Ciências, Letras e Artes de São Paulo, no mês em que a cidade comemora aniversário, e diplomada em empreendedorismo social pela Assembleia Legislativa do Estado de São Paulo, é motivo de grande satisfação. “Como baiana e comunicadora, fico muito honrada em receber esse prêmio. Há algumas décadas, fiz de minha missão dar voz às diferenças e à inclusão, como madrinha, de crianças e jovens com múltiplas amputações. Mas é principalmente como cidadã que busco unir talento e conhecimento em prol das causas que, naquele momento, demandam iniciativas e com as quais eu possa contribuir”, lembrando que enquanto a empatia se coloca no lugar do outro, a compaixão pede ação. “Torço para que, ao ouvir falar desse prêmio, você também se voluntarie, encabece algo novo, traga seu talento pra jogo, faça diferença ou colabore com quem faz – e ajude a ajudar”, recomenda.     Homenagem acontece nos 468 anos de São Paulo 25 de janeiro de 2022. Nesta data, a maior cidade brasileira e uma das maiores do planeta faz 468 anos. Tudo começou em 1554, com a construção do Colégio de São Paulo de Piratininga, iniciada por doze padres jesuítas, entre eles Manuel da Nóbrega e José de Anchieta. Em 2020, já eram 12,3 milhões de habitantes na metrópole. A data coincide com a celebração, pela igreja católica, da conversão do apóstolo Paulo, o que deu origem ao nome da cidade. Naquela época, o acesso ao local era muito difícil, sendo necessário arriscar a vida para escalar a Serra do Mar, uma gigantesca muralha de montanhas. Por esse motivo, os primeiros jesuítas fixaram-se em um platô de terra ampla e fértil, onde já viviam os caciques Tibiriçá e sua gente e no qual os inimigos não podiam chegar sem ser vistos. O terreno hoje abriga o Mosteiro de São Bento, local histórico e religioso localizado no Largo de São Bento, no centro da cidade. Fonte: https://www.michellemarie.com.br/notas/sandra-teschner-recebe-hoje-25-diploma-da-academia-de-ciencias-letras-e-artes-de-sao-paulo-.html

Como ser feliz num mundo metaverso?

Por Sandra Teschner, chief happiness officer, certificada na Florida International University (FUI) em “Gestão de Felicidade” O ser humano seria “limitado em seu livre arbítrio”, concluía von Ditfurth em resposta aos resultados obtidos pelas então novas pesquisas científicas com gêmeos e que comprovariam que 50% do nosso comportamento é originário de herança genética. Afirmação esta que seria suficiente para a certeza determinista do autor de que seríamos algo como “um caso perdido”. Como solução, von Ditfurth propunha o fim coletivo da humanidade, já que a esperança estaria na vida após a morte. Esta sim, poderia recriar a realidade, transcendendo o mundo, como o conhecemos, adicionando componentes como “amor até aos inimigos”. Odiado e sincronicamente premiado, o autor descrevera, em suas angústias escapistas, o que alguns pensadores de tecnologia atuais mais otimistas esperam do metaverso, sem, para tanto, ter de morrer para viver. A ideia é continuar por aqui mesmo, ainda que numa realidade paralela. O tal do metaverso “Trata-se de uma convergência entre os dois mundos, não uma dissociação, mas uma associação de hábitos, negócios, locais virtuais, lazer. Este contexto abre possibilidades também no quesito comportamental, no metaverso, seu eu-digital, ou seu avatar pode ser exatamente quem você é, ou pode ser alguém completamente diferente por conseguinte, experimentar uma nova vida. Esta realidade imersiva será ainda muito mais profunda, do que vivenciamos hoje com as redes sociais, tecnologias digitais, WhatsApp.” — resume Christiane Edington, Conselheira da MCIO Associação que promove a inclusão e ascensão de mulheres no mercado de tecnologia e ex-presidente da Dataprev, uma das principais executivas brasileiras, membro do conselho de administração de grandes corporações, como as Lojas Renner e JHSF Ok. Mas, o que é mesmo felicidade? Uma pergunta que deve ser feita é: O que os entrevistados pelo estudo entendem por felicidade? Seria diversão, conquistas rápidas, prazeres hedônicos (intensos, mas de rápida duração)? Ou será que de fato reportaram ao entendimento superior e atualizado da felicidade, evidenciada pela ciência? A resposta deve ser dada no âmago de cada um de nós. O que responderíamos se tivéssemos feito parte da pesquisa e o que de fato estaríamos respondendo com nossas afirmações? Já identificamos um propósito longevo, um bem-estar subjetivo duradouro a despeito dos acontecimentos da vida? Já compreendemos que a base de uma vida feliz são conexões sociais qualitativas, altruísmo, imperturbabilidade, tudo isso bem equalizado com emoções positivas? Afinal, são esses os pilares de uma vida duradouramente feliz, segundo estudos robustos de renomadas universidades de Harvard, Yale, California, River-Side, Bochum (Alemanha), para citar algumas. Seria uma forma de garantir “felicidade” que levaria, segundo o jornal britânico Independent, um fã anônimo a pagar £ 340.500 libras esterlinas na compra de um terreno virtual, próximo à casa NFT (criptomoeda ou o token não-fungível, código de computador que serve como autenticação de um arquivo — garantindo sua originalidade) de Snoop Dogg no Metaverso? Para quem está surpreso, o rapper construiu seu Snoopverse, onde os residentes são chamados Snoopers, e já fatura incansáveis cripto-milhões. Não é necessariamente um conceito novo, sustentar a vida em propósito, amizades e autoalquimia. Recriar as vivências humanas através de um eu-imersivo é desafiador, principalmente para um ambiente que se propõe a estar 24 horas em modo on. Para que essa recriação impacte positivamente a sociedade, deve-se considerar na era pós-pandêmica (admitindo algum otimismo na expressão) o urgido da saúde mental de seus cidadãos, virtuais ou não. Numa das frentes emergentes mapeadas pelo Into the Metaverse, as MetaSocieties: 88% dos entrevistados disseram que o seu eu-digital deverá refletir os seus valores da realidade e os seus preceitos éticos. Seria este um dado indicador de esperança para a construção de uma sociedade virtual mais feliz? No renomado Psychology Today, Dra. Phil Reed, Ph.D., professora de psicologia na Swansea University respondeu: “Estudos sugerem que o uso excessivo da tecnologia digital está associado a muitos problemas de saúde mental, como sintomas psicossomáticos, depressão, e doenças mentais graves. Para que este esboço das evidências não seja confundido com propaganda anti-digital, como foi posto por representantes do Facebook, a primeira coisa a dizer é que existe a possibilidade de que tal interação virtual ajude pessoas a lidarem com a situação de delírios e alucinações, demonstrados em ensaios clínicos controlados. No entanto, o metaverso proposto não será um ambiente clínico controlado, e há sugestões factíveis de que a ajuda que tais ambientes virtuais proporcionam é simplesmente escapismo, ou seja, promovem a sensação de escapar de problemas, não entregando uma solução duradoura. Por outro lado, existem evidências crescentes de uma associação entre o uso digital e problemas clínicos associados a delírios e alucinações.” (em livre tradução). Temos uma equação cheia de incógnitas entre os desejos de uma sociedade ideal, em um Universo paralelo virtual, a motivação das big techs com o gigantesco potencial de audiência e lucratividade, e as dúvidas que permeiam anseios coletivos de bem-estar subjetivo em contraponto com seus medos. Escapar ou Ser Feliz? O que o psiquiatra pessimista Hoimar von Ditfurth não sabia, ou não apostou em sua abordagem dos anos 1980, é da imensa capacidade resiliente e de aprendizado humano. Quando estes escolhem agir e imputam esforço e energia, muito além dos genes, somos capazes de viver nossa melhor versão, numa perspectiva realista, porém otimista da vida, sem termos de desistir dela para prosperar. Encorajar pessoas para não escolherem um mundo exclusivo para creditar hábitos de uma vida sustentável, justa, empática, significativa pode ser uma alternativa válida para a felicidade em coletividade. Na dúvida imersiva, e adjetivando em metaverso, que tal plantarmos nossas macieiras? Se bem cuidadas, os frutos vêm. Alguém acompanha? Ou…Vou ali plantar uma macieira. Quem me acompanha? Clique aqui para saber mais sobre Sandra Teschner Fonte: https://docmanagement.com.br/01/14/2022/como-ser-feliz-num-mundo-metaverso/

Perdão, sem desculpas

O futuro do trabalho é emotivo: as emoções são inerentes ao indivíduo e definem as dinâmicas que afetam a motivação, a saúde e a comunicação Perdoar e desculpar não são verbos sinônimos e entender a diferença é a solução de um sem-número de conflitos. Ambos têm raízes fincadas na religião e na filosofia, mas ocupam cada vez mais as ciências sociais e comportamentais. Nomear o que se sente é uma técnica da psicologia que ajuda o indivíduo a assimilar o funcionamento das emoções, independentemente do juízo de valor que se faz delas; é a partir daí que se torna possível uma mudança de comportamento e atitude. Durante a pandemia, a relação do indivíduo consigo mesmo e com o mundo transborda culpa e julgamento – dois lados da mesma moeda de infelicidade. Entender o ato de perdoar é criar uma possibilidade para ressignificar as dores emocionais a que estamos sujeitos. A escritora e filantropa inglesa Hannah More, escreveu em pleno século 18: “O perdão é a economia do coração: economiza as despesas da raiva, o custo do ódio, o desperdício de espíritos”. Perdão e desculpa são palavras quase opostasUma das mais contundentes diferenciações entre perdão e desculpa foi cunhada pelo professor e teólogo irlandês Clive Staples Lewis, autor do romance de fantasia “As crônicas de Nárnia”: “Perdão e Desculpa são palavras tão banais no uso, que nem desconfiamos da diferença entre elas. Em um certo sentido, elas são palavras quase opostas. O Perdão nos diz ‘ok, você fez isso, mas eu aceito seu pedido de perdão […] Já a Desculpa fala ‘eu percebo que você não podia evitar, sei que realmente você não queria fazer isso; você não é culpado’. Assim, um ato falho sem culpa precisa de desculpa, e não de perdão. Da mesma forma, boas desculpas não precisam de perdão – já que o perdão exige culpa – e se você quer ser perdoado, não há desculpas para o que fez – pois pedir perdão é assumir a culpa. Porém, isso não invalida a possibilidade de haver os dois ao mesmo tempo. O problema está em pedirmos desculpas para aquilo que exige perdão”. Ter ciência de nossas emoções e daquelas que transmitimos é uma ferramenta de transformação rumo ao bem-estar duradouro, inclusive no ambiente profissional. O futuro do trabalho é emotivo, as emoções são inerentes ao indivíduo que carrega consigo as dinâmicas emocionais que afetam sua motivação, saúde e comunicação. “Sentimentos não são inimigos que precisam ser combatidos, eles precisam ser aprendidos” explicam Liz Fosslien e Mollie West Duffy, autoras de “Sem Neura”, lançado no Brasil em 2020. Para elas, existem três etapas para construir um grande pedido de desculpas: “Admita seu erro. Suprima o impulso de explicar suas ações – isso geralmente faz você parecer defensivo ou pior, como se estivesse dando desculpas (que já é uma outra história). Se quiser dar contexto, certifique-se de que ainda está assumindo a responsabilidade pelo que fez.Diga ‘Sinto muito’. Muitos ‘pedidos de desculpas’ não são explícitos. Uma boa regra ao dizer ‘Sinto muito’ é parar após essas duas palavras. A maneira mais rápida de entrar no território do falso pedido de desculpas é acrescentar ‘se [meu comportamento rude] fez você se sentir assim’. Não insinue que a outra pessoa está sendo excessivamente sensível – assuma o controle – e a responsabilidade – do seu erro.Explique como isso não acontecerá novamente. Diga à outra pessoa o que você fará de diferente no futuro para não repetir o erro.”O ato de se desculpar passa a ser decisivo para o convívio pacífico. Uma desculpa mal dada causará um transtorno ainda maior e por isso precisamos estar atentos a sua forma – é o que explica o autor e psicólogo organizacional Adam Grant, num artigo para o jornal “The Times” Segundo o autor, as formas mais falhas de desculpas são: A “if-pology” (a desculpa do se) – Eu não estou dizendo que fiz isso, mas, se eu tivesse feito, eu realmente sentiria muito.A “no-fault” (não foi minha culpa) – Claro, eu fiz algo errado, mas não sabia que estava errado na hora.Há também a “pre-pology” (desculpa antecipatória) – Estou confessando meus pecados antes que alguém me acuse, mas sou a verdadeira vítima aqui. Tenho muitos demônios de infância.E, finalmente, há a “un-pology” (desculpas em negação) – Minhas desculpas foram genuínas, mas, eu não fiz o que pedi desculpas, então nego.Um sincero pedido de desculpas reconhece que suas escolhas afetaram negativamente o outro. “É o reconhecimento da transgressão da mágoa, mesmo se você achar que foi legítimo e justificado”, diz a terapeuta Esther Perel em um podcast com Grant. “O reconhecimento envolve um elemento de remorso ou culpa – às vezes pelo que você fez a outra pessoa, não necessariamente por sua própria ação.” Muitas vezes estamos tão focados em defender nossos motivos, que deixamos de ver e admitir as consequências de nossas ações. Não importa se pretendíamos machucar alguém. “Assumir a responsabilidade é retomar o seu poder.” Importante também explicar como você planeja melhorar no futuro. “Você não pode corrigir seus erros se não explicar como vai consertar ou prevenir o problema daqui para frente”. O autor explica ainda que devemos cumprir o compromisso firmado, e só depois de ter de fato feito uma mudança no padrão de comportamento que se deve pedir perdão. O perdão não deve ser concedido quando prometemos mudar, mas, ser conquistado, assim que cumprirmos essa promessa. Mudança de motivação Num artigo de 1997, publicado no “Journal of Personality and Social Psychology”, da American Psychological Association, os cientistas sociais Michael McCullough, Everett Worthington e Kenneth Rachal definiram o perdão como uma mudança na motivação nas relações humanas e as categorizaram como o conjunto de mudanças motivacionais pelas quais alguém se torna cada vez mais motivado a: retaliar um parceiro de relacionamento ofensormanter o afastamento do ofensorconciliar-se com o ofensor, apesar de suas ações prejudiciais“Nossa hipótese é que a empatia pelo parceiro ofensor é a condição facilitadora central que leva ao perdão. Uma variedade de fenômenos pró-sociais, como cooperação, altruísmo e

A importância da vida depois das perdas

Há um processo que se inicia no momento que algo é ceifado de maneira definitiva da nossa vida. É preciso passar por todas as suas etapas, para honrar o que se perdeu A pandemia da covid-19 impõe a experiência diária de perdas de diferentes naturezas para todos, com diferentes gravidades e também diferentes recepções. É possível dizer que todos, indiscriminadamente, perdemos o mundo que conhecíamos. Nada que se compare com a perda de um ente querido ou da própria saúde, fatos cotidianos no Brasil. Mas no cérebro, sentimento de perda de um sonho de vida tem o mesmo efeito de uma partida inesperada e não desejada. O luto é um processo emocional que se inicia a partir do momento que algo é ceifado de maneira definitiva da nossa vida: um emprego, uma relação, um projeto de vida, uma pessoa. “A tarefa, do ponto de vista psicológico, é a de enfrentar a morte e encontrar uma maneira de viver com ela”, define Julia Samuel, terapeuta especializada em luto e autora de “This Too Shall Pass”(Isso também vai passar). A escritora desvenda ainda um outro tipo de luto, que ela nomeia como “perdas em vida”, e que incluem o divórcio, a demissão ou a vida como a conhecíamos. A pandemia fez aflorar essas duas formas de luto e ainda trouxe uma nova e poderosa variante, um sentimento de múltiplas perdas, inclusive de segurança, em senso comum, sentido, ao mesmo tempo, por milhões de pessoas. E esse desconforto coletivo ganhou nome próprio, que em português vem sendo chamado de “definhamento”. O termo, uma tradução do inglês “Languishing”, não é novo e foi cunhado pelo psicólogo americano, Corey Keyes em 2002 com a publicação: “Do definhamento ao florescer na vida”, onde relatou um meio termo entre a depressão e o bem-estar. A novidade em relação ao uso dessa expressão está em seu alcance. A melancolia transita do nível micro para o macro, do indivíduo para a grande parte da população, um coletivo letárgico. Lições dos mais diversos estudos da ciência do bem-estar são apostas de antídotos, por profissionais renomados nas mais diversas áreas do comportamento humano. “Definhamento é uma sensação de estagnação e vazio. É como se você estivesse confundindo seus dias, olhando para sua vida através de um para-brisa embaçado”, escreveu o psicólogo Adam Grant em um artigo para o jornal New York Times. “Enquanto os cientistas e médicos trabalham para tratar e curar os sintomas físicos do covid 19, muitas pessoas lutam contra a longa duração emocional da pandemia. Alguns de nós ficaram despreparados, quando o medo intenso e a dor do ano passado se dissiparam.” Efeito nocebo Em psicologia é comum categorizar como “luto antecipatório”, o estado de medo das incertezas sobre o futuro, uma espécie de mau presságio. Nosso cérebro primitivo identifica que algo negativo está por vir, e nos coloca em um sistema de alerta, também comumente descrito como “lutar ou fugir”. Este estado emocional, seus efeitos e antídotos também foram amplamente discutidos por Sandro Formica, Ph.D em Ciência da Felicidade na Florida International University. Em publicação de abril de 2020, ele chama a atenção para o chamado efeito nocebo, uma espécie de versão danosa do tão conhecido efeito placebo. “Em todo lugar, falamos sobre aspectos objetivos, taxas de perigo e mortalidade do coronavírus, contudo nessa situação delicada os aspectos subjetivos são igualmente importantes. Um tema fundamental está relacionado ao efeito placebo, cientificamente comprovado, que pode ativar a química do nosso corpo para resolver nossos problemas internos. Da mesma forma, podemos ativar o efeito nocebo, que também tem comprovação científica, embora menos conhecido, e que compromete negativamente nossa química interna. Sob o Nocebo, nos sentimos doentes e nossas defesas imunológicas despencam”. Formica lembrava que se deve evitar as notícias alarmantes fora do que é útil ou se possa combater. “Nós só controlamos nossas ações e atitudes. A informação deve ser usada para a prevenção, se não gera sofrimento e compromete a saúde mental das pessoas”. Entre suas sugestões para manutenção de um estado mental positivo, estão: Concentre-se no que você pode afetar Trabalhe com o que está no presente Seus pensamentos e ações estão sob seu controle, faça uso deles a seu favor Depois de ter feito o que está a seu alcance, deixe as coisas seguirem seu curso Anote: “Uma pessoa feliz não é uma pessoa em um determinado conjunto de circunstâncias, mas, sim, uma pessoa com um determinado conjunto de atitudes Não reprima sua dor, ela faz parte do processo de cura Dê sentido à vida, algo que seja maior do que você Nesse contexto, fica fácil entender por que o “luto” foi exatamente o tema mais viral da história da Harvard Business Review. Trata-se de uma entrevista do editor Scott Berinato com David Kessler, no ano passado. Kessler é coautor com Elisabeth Kübler-Ross do icônico os “Os Segredos da Vida”, obra que classificou os 5 estágios do luto. Em seu novo livro, adicionou uma outra etapa ao processo: “Encontrando Propósito. A sexta etapa do luto” (em livre tradução). “O luto é, na verdade, múltiplos sentimentos que devemos administrar”. O psicólogo explica como os cinco estágios clássicos do luto: negação, raiva, barganha, tristeza e aceitação se aplicam hoje na era da covid-19, adiciona propósito (ou significado) a estas,  e identifica as melhores práticas para lidar com o definhamento. Entre os ensinamentos de Kessler sobre perdas, algumas lições difundidas pela Ciência da Felicidade Compreender os estágios do luto, sabendo que eles não são lineares: “Há algo poderoso em chamar esse sentimento que estamos vivendo agora de luto. Isso nos ajudar a entender o que está ocorrendo dentro de nós” Se permitir sentir suas dores emocionais Reconhecer e equilibrar os maus pensamentos com os bons Focar no presente “A mesa é dura. O cobertor é macio. Posso sentir a respiração entrando pelo meu nariz. Isso realmente funcionará para amortecer um pouco dessa dor” Abandonar coisas que você não pode controlar: não controlamos a existência do vírus, mas controlamos a decisão de usar máscaras, lavar as mãos, ou manter um distanciamento social Encontrar

É possível aprender a ser feliz

Ser feliz não é exclusividade dos bem-dotados. É habilidade a ser aprendida, exige treino diário e garante recompensa. Ser feliz não é exclusividade dos bem-dotados, mas uma escolha pessoal. É habilidade a ser aprendida e exige treino diário que envolve esforço e garante recompensa.  Disponível para qualquer pessoa – independentemente de circunstâncias e condições de vida -, o aprendizado da felicidade alcança números impressionantes pelo mundo. Segundo dados publicados pela plataforma Coursera, “A Ciência do Bem-Estar”, oferecido pela Universidade Yale é o segundo curso mais procurado no mundo, com 3,45 milhões de inscritos, só perdendo em número de inscrições para o curso de Aprendizagem Automática da Universidade de Stanford, com 4 milhões de inscritos. A professora e psicóloga Laurie Santos, criadora do curso, explicou durante sua passagem no último World Happiness Summit, na Universidade de Miami, que o ponto de partida para o curso foi sua percepção do aumento de casos de depressão e ansiedade entre os estudantes de Yale. “A comparação com as notas entre os alunos, por exemplo, estavam levando os estudantes a uma situação de estresse, não potencializando a atenção plena no presente”. O resultado dessa ideia é comprovado pelos números. Além do imenso sucesso nas plataformas virtuais, passaram pelas aulas presenciais (antes da pandemia) 1,2 mil alunos, outro recorde para a universidade. O podcast de Santos “The Happiness Lab” tem mais de 35 milhões de downloads. Ser feliz é uma questão de hábito O conhecimento é uma ferramenta, mas o que define o resultado de ser feliz é a mudança de comportamento. Segundo a Teoria Cognitiva Comportamental, criada pelo psiquiatra Aaron T. Beck, somos feitos de nossos hábitos, que, por sua vez, formam as nossas crenças e valores pessoais. Sob essa ótica, a pandemia trouxe uma oportunidade. Fomos obrigados a fazer mudanças para nos adequar às limitações impostas pela situação planetária. A crise sanitária nos obrigou a redescobrir prazeres esquecidos ou escondidos. Experiências geradoras de bem-estar como viagens, esportes ao ar livre, convivência em espaços públicos deixaram de ser uma opção. Nosso cérebro vem sendo forçado a rever conceitos. Trata-se de uma excelente chance de emplacar um gol em direção a uma vida feliz. A lista de atividades intencionais, que pode aumentar seu “bem-estar subjetivo” (termo cunhado pelo professor e pesquisador Ed Diener, cientista-sênior da Gallup, que nos deixou em abril) é longa. Porém, é simples de ser assimilada. Lições para ser feliz Invista em autoconhecimento. Só quem se conhece sabe o que o faz genuinamente bem. Experimentamos prazer ao realizar algo que reflete o nosso talento. Ainda que os prazeres momentâneos, ou hedônicos, não garantam felicidade duradoura, provocam emoções positivas e estas são um dos pilares da felicidade. Cultive-os. Crie um registro de gratidão. As demandas diárias costumam nos tirar do foco do que já temos (de bom) e fixar no preenchimento do que falta. A professora Laurie Santos sugere que se escolha periodicamente alguém para agradecer com uma carta, um e-mail. De preferência uma pessoa que tenha nos beneficiado de alguma forma, abriu alguma porta, ofereceu uma nova perspectiva e que nunca agradecemos devidamente.  Estudos da Chicago Booth School of Business e da University of British Columbia provaram em imagens que as pessoas se sentem mais felizes dando do que recebendo. Recompensas emocionais dos gastos sociais, como doar dinheiro para um banco de alimentos, foram até mesmo rastreadas em exames de ressonância magnética em um estudo da Universidade de Oregon.  Seja cuidando de alguém ou ajudando financeiramente. Mais circuitos neurais são alcançados na doação do que no ganho. A regra do dividir para multiplicar, funciona. Tenha uma causa. A vida sempre precisa de um sentido e a química que suporta o bem-estar sabe disso. Um propósito não precisa ser uma ideia intangível e utópica. Qualquer maneira de assumir as responsabilidades por você e pelo mundo à sua volta fortalecem a noção de integração mínima necessária para experimentar a felicidade. Ganhe tempo. Não gaste os dias apenas ganhando dinheiro para usufruir depois. Estudiosos relatam que a gestão do tempo é um dos fatores de maior impacto contra a ansiedade e o estresse. Invista seu tempo aproveitando o processo. A felicidade precede o sucesso. Cultive o otimismo. Pratique a observação do lado positivo de cada situação. É uma prática de foco: ter consciência do que não está bom é importante para a evolução humana. Emoções positivas e negativas fazem parte de uma vida feliz, quando não fixamos nossa atenção apenas nas negativas. Faça atividades físicas diariamente. Não importa o que, contanto que sejam feitas. A regularidade também é inegociável.  Nutra relações qualitativas. Busque a convivência com aquelas pessoas que promovem o melhor em você, invariavelmente serão aquelas com quem você pode ser, quem você de fato é.  Viva no presente, cultive a atenção plena. Existem inúmeras ferramentas: meditação, oração, contemplação. Quando estamos conscientemente vivendo “o aqui e agora”, não estamos ansiosos com a expectativa com o futuro, nem depressivos pelos nossos erros do passado.  Desenvolva estratégias para lidar com problemas. Elabore e pratique maneiras de suportar ou superar um estresse, uma dor ou trauma recente. Aceitar o que você não pode mudar é uma sabedoria milenar e adotada pela Ciência da Felicidade. Aceitar não é sucumbir, mas estar consciente da mudança, prontos para decidir o que faremos a partir dela.