De utopia à acidente ocupacional. Felicidade é assunto sério .

Confira o artigo no Grupo Gestão RH Por Sandra Teschner Se pelo amor não bastava, talvez agora seja pela dor. A felicidade no trabalho antes vista como um tema “fofo” de RH, um luxo conceitual ou um brinde institucional entrou oficialmente na categoria de risco ocupacional. E quando falamos em risco, falamos em lei, multas, INSS e acidentes de trabalho. A mais recente atualização da Norma Regulamentadora nº 1 (NR-1), publicada pelo Ministério do Trabalho e Emprego (MTE) em agosto de 2024, tornou obrigatória a inclusão da avaliação de riscos psicossociais no Programa de Gerenciamento de Riscos (PGR) das organizações. Essa mudança reconhece oficialmente que estresse, assédio, sobrecarga mental e emocional são riscos ocupacionais e devem ser gerenciados com o mesmo rigor que riscos físicos ou químicos. A partir de 26 de maio, todas as empresas brasileiras deverão identificar e mitigar esses fatores. A negligência terá consequências sérias, como: ► aumento da alíquota do Seguro de Acidente de Trabalho (SAT); ► multas substanciais; ► ações judiciais; ► e impactos diretos na reputação corporativa especialmente em um cenário onde a saúde mental está sob constante escrutínio público. A principal mudança? Agora há base legal. A Previdência Social não quer mais arcar sozinha com os custos gerados por más condições emocionais no ambiente de trabalho. O que antes era tratado como um diferencial ético ou uma estratégia de engajamento, agora entra na categoria de compliance obrigatório. E ainda há muitas perguntas no ar: Quem audita? Como será feita essa fiscalização? Quais indicadores serão exigidos? Fato é: o passivo já está criado – e a prevenção virou salvação. Mas será que as empresas só se movem quando sentem a ameaça? Porque pela via do cuidado real, do engajamento genuíno, da liderança emocionalmente inteligente, os argumentos já existem há muito tempo: ► A Universidade da Califórnia mostra que colaboradores felizes são, em média, 31% mais produtivos, 3 vezes mais criativos e vendem 37% mais. ► A Gallup revela que empresas com equipes engajadas registram 21% mais lucratividade e 41% menos absenteísmo. ► Arthur Brooks, professor de Harvard, comprova que líderes emocionalmente satisfeitos constroem culturas de alta performance e baixa rotatividade. Ou seja, felicidade funciona. Não é só filosofia de vida. É gestão de risco, é estratégia, é resultado. A curva da felicidade acompanha a curva do lucro sustentável. O estado de flow, como defendem Mihaly Csikszentmihalyi e Steven Kotler, eleva a performance a níveis de alto impacto. Quem entendeu isso, já saiu na frente. Quem ainda acha que é “romântico demais para ser verdade”… melhor preparar o jurídico. Felizmente, já existem caminhos práticos para alinhar cultura, gestão e compliance: ► ferramentas de mensuração como o modelo PERMA-V, ► plataformas de monitoramento de clima emocional, ► e normas internacionais como a NP 4590 (Portugal), que estruturam sistemas de gestão do bem-estar organizacional. Não se trata de fazer mais. Mas de fazer o essencial com consistência. Há décadas, atuo ao lado de empresas que decidiram agir pelas razões certas inclusive para agradar aos acionistas. Porque felicidade organizacional não é romantismo. É inteligência corporativa. É sustentabilidade humana. *Autora do livro Felicidade se Aprende, Sandra Teschner é consultora em saúde social e felicidade corporativa. Mestre em Psicologia Organizacional e especialista em Ciência da Felicidade e Liderança Positiva, fundou o Instituto de Happiness do Brasil. É CHO da primeira turma da Florida International University Link da matéria: https://www.grupogestaorh.com.br/pt_br/artigos/9080-felicidade-no-trabalho-do-romantismo-organizacional-ao-acidente-de-trabalho